sábado, 28 de julho de 2012


- Que trazes na mão? Que queres?
- Nada de mal.
- Nada de mal, nada de mal. Pareces um disco riscado. Não sabes dizer outra coisa?
- Eu só quis dizer que não estou a fazer nada de mal. Não te zangues.
- Ora. Não me zango. Claro que não me zango. P’ra quê? És como o teu pai.
- …
- Pois, cala-te. É o melhor que tens a fazer. Dois imprestáveis, eu é que tenho que fazer tudo.
- Mas, mãe…
- Qual mas, qual o quê! Se não fosse eu não sei o que seria de vocês.
- Queres que faça alguma coisa?
- Fazer o quê? não sabes fazer seja o que for.
- Ensina-me.
- Ensinar-te? Eu tenho lá tempo p’ra isso! Vai ter com o teu pai, ele que te ensine! Tempo não lhe falta. Vai ter com o paizinho. Já agora sentem-se os dois a ver televisão enquanto eu faço o jantar.
- Mas mãe…
- O que foi? Não sabem ligar a televisão?
- O pai saiu p’ra comprar cigarros.
- Claro, gastar dinheiro, que é o que ele sabe fazer. E então?
- Deixou este bilhete. Parece que não volta.

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