sábado, 28 de julho de 2012


- Que trazes na mão? Que queres?
- Nada de mal.
- Nada de mal, nada de mal. Pareces um disco riscado. Não sabes dizer outra coisa?
- Eu só quis dizer que não estou a fazer nada de mal. Não te zangues.
- Ora. Não me zango. Claro que não me zango. P’ra quê? És como o teu pai.
- …
- Pois, cala-te. É o melhor que tens a fazer. Dois imprestáveis, eu é que tenho que fazer tudo.
- Mas, mãe…
- Qual mas, qual o quê! Se não fosse eu não sei o que seria de vocês.
- Queres que faça alguma coisa?
- Fazer o quê? não sabes fazer seja o que for.
- Ensina-me.
- Ensinar-te? Eu tenho lá tempo p’ra isso! Vai ter com o teu pai, ele que te ensine! Tempo não lhe falta. Vai ter com o paizinho. Já agora sentem-se os dois a ver televisão enquanto eu faço o jantar.
- Mas mãe…
- O que foi? Não sabem ligar a televisão?
- O pai saiu p’ra comprar cigarros.
- Claro, gastar dinheiro, que é o que ele sabe fazer. E então?
- Deixou este bilhete. Parece que não volta.
Não percebo nada disto. Ao contrário doutras ferramentas de comunicação, isto de blog é algo que não me é intuitivo. Não faço sequer ideia se alguém vê, se não vê, se estou sozinha ou acompanhada. É como acordar, abrir a janela e não ver ninguém, não ouvir nada. Dá vontade de perguntar: está alguém aí? o mundo acabou enquanto dormia? 
Está alguém aí?

sexta-feira, 27 de julho de 2012


Sentia-se cansada. Nem sabia de quê. Fazer uma mala não dá trabalho nenhum, ou quase. E colocar a vida numa mala, também deveria ser igualmente fácil. Descobriu rapidamente que o processo decorria em  sentido inverso: colocar tudo, absolutamente apenas tudo o que transportaria consigo para lá daquela porta, revelou-se um longuíssimo processo de exclusão, processo que se prolongava penosamente em cada objecto, em cada memória a ele associada, em cada momento que longinquamente exalava ainda uma réstia de alguma memória. Finalmente, fechou-a. Nem sequer estava demasiado cheia. Sorriu com melancolia. Teve um momento de lucidez claro como a neve e igualmente gelado e vivo ao perceber que estava errada pois transportava ainda assim demasiado entulho – afinal, quando atravessasse a última das portas, não levaria absolutamente nada na mala, a própria mala seria desnecessária. E cansada, sentou-se por momentos em cima dela sem pensar em nada. Vazia. Esvaziando-se.
E agora o de hoje. Amanhã logo se vê. esta será a parte que antecede a de ontem.

Daniela olhou para trás uma última vez. Interiormente despediu-se. Uma despedida contida, antecipadamente nostálgica mas não saudosa. Já tinha decidido: voltaria a usar o nome que a mãe lhe dera ao nascer, Branca. Daniela ficara, ficara no pó dos caminhos da alma, dentro das paredes da casa que se preparava para abandonar, na memória de quantos não a tinham conhecido embora pensassem o contrário. Depois fechou a porta e sem mais demoras afastou-se lentamente rumo a uma nova realidade, um novo começo, uma nova pessoa.

FIM 27-07-2012
Ainda antes disso, pergunto a mim mesma como é que e mudo horário disto que está desfasado em 8 horas relativamente à hora real.
E assim irei começar pela 1º postagem que corresponde ao trabalho de ontem. já a seguir.

Tudo tem um início

Irei iniciar aqui uma ideia que me ocorreu há muito e que ontem comentei com uma amiga fanática da blogosfera. Não percebo nada, absolutamente nada, patavina, desta forma de estar na internet. Mas a minha amiga insistiu para levar a ideia à prática e também para fazer o meu próprio blog. Segundo ela é mais um mundo. Bem, eu gosto de mundos... para já deixa ver o que sucede ao clicar em enviar. Calma. Correu mal. Cliquei num sítio que era para reportar problemas. Está ali uma janelita a laranja que diz "Publicar". De certeza que é aquela. Vamos ver. Ainda não. Faltava título. Será desta?